quarta-feira, janeiro 16

É muito fácil você me achar ou conhecer a superfície de mim, nem é preciso entrar em labirintos. Eu sou aquele que as pessoas apontam, a ovelha negra, a música chiclete que você escuta em um dia tedioso de domingo, o que revira os olhos e dá o grito mais escandaloso em época de luto. Me diferencio. E hoje, com todos os poréns que isso me reserva, acredito que no final das contas é algo bom. Sempre disse que não nasci para ser mais um fator nulo, quero ser o expoente mais alto, a cor mais intensa e o verso mais complicado. O pior de tudo é que eu consegui ser tudo isso e um pouco mais. Repito que não tem segredo, sem demora você vai me descobrir e talvez até ria comigo ou de mim, tem o risco de você se deixar encantar ou sair correndo. Se tiver com medo não se aproxime, não sou fogo, mas solto faísca, não rastejo pelo chão, mas também destilo veneno e quando amo é daquele tipo de amor que se vê em filme independente francês. Complicado. Incógnita. Sugiro que você peça uma prova de Matemática ao invés de topar comigo antes de estar com a mente aberta. Enfim, se depois de tudo isso você ainda quiser sentar ao meu lado, não diga que eu não avisei. Ah, mas tem um detalhe: pode não haver labirintos até mim, mas cuidado para não cair em armadilhas antes de chegar aos meus braços.