domingo, agosto 26

Eu tenho me perguntado o motivo, esse misterioso motivo, do poder do seu abraço. Esses braços endorsados de disponibilidade, de segurança infinita e sorrisos que me vêm com o seu olhar manhoso. Aconchegado num laço, que prende e pressiona diante teu peito. E me calo. Escuto a melodia das batidas do seu coração como se só existisse este som no mundo. E fico bem assim. Encostando minha cabeça em seu peito e deixando a sintonia de nossos corpos ecoarem em minha mente, adocicando os pensamentos e nos entregando mais em êxtase. A dor mais profunda não se aproximava, qualquer pedaço de lástima não se fazia presente porque estávamos ali, complementando-nos e pintando o que, antes, não tinha cor em nossa alma. E, por favor, não ouse abrir os braços. Somos jovens assim, abraçados e envolvidos por uma corrente que vai muito além de sentimentos. É uma questão de alma. Alma dividida, compartilhada, multiplicada por dois, resultando num só ser: nós. Sem qualquer sombra de outro alguém, completos e perfeitamente encaixados. O destino nos sorriu e como presente levamos um ao outro. E não tem fim, os afetos e os contentamentos vão se disseminando em nossos olhares. O aconchego nos garante a veracidade de nosso querer-bem e que assim seja, meu bem. Que assim seja. 

Paulo Justiniano e Mateus Tourinho, em parceria.